quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Mais Que Um Mero Poema


Parece estranho. Sinto o mundo girando ao contrário.
Foi o amor que fugiu da sua casa e tudo se perdeu no tempo.
É triste e real.
Eu vejo gente se enfrentando por um prato de comida.
Água é saliva.
Êxtase é alívio, traz o fim dos dias.
E enquanto muitos dormem, outros se contorcem. É o frio que segue o rumo e com ele a sua sorte.
Você não viu? Quantas vezes já te alertaram que a Terra vai sair de cartaz e com ela todos que atuaram?
E nada muda, é sempre tão igual.
A vida segue a sina.
Mães enterram filhos, filhos perdem amigos, amigos matam primos, jogam os corpos nas margens dos rios contaminados por gigantes barcos...
Aquilo no retrato é sangue ou óleo negro?

É pão e circo. Veja a cada dose destilada, um acidente que alcooliza o ambiente. Estraga qualquer face limpa.
De balada em balada vale tudo e as meninas das barrigas tiram os filhos, calam seus meninos; selam seus destinos...
São apenas mais duas histórias destruídas.
Há tantas cores vivas caçando outras peles; movimentando a grife.
A moda agora é o humilhado engraxando seu sapato... Em qualquer caso: é apenas mais um chato!
Aqui jaz um coração que bateu na sua porta às 7 da manhã,
Querendo sua atenção, pedindo a esmola de um simples amanhã...
Faça uma criança. Plante uma semente. Escreva um livro e que ele ensine algo de bom.
A vida é mais que um mero poema... Ela é real!
E ainda que a velha mania de sair pela tangente saia pela culatra; o que se faz aqui, ainda se paga aqui.
Deus deu mais que ar, coração e lar,
Deu livre arbítrio
E o que você faz?
O que você faz?

Aqui jaz um coração.
( Guilherme de Sá )

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Dia de Chuva


Meus pés persuadiram-me, perturbados,
A perambular pelas ruas quase vazias,
Para admirar o céu que havia se aproximado
Curvando-se e ofertando seus excessos.
O ar frio e revitalizado,
Revezava com as gotas sobre mim.
As árvores que, com mais esforço,
Correriam comigo por elas mesmas,
Não realizaram mais do que chorar de felicidade.

(Geneva H. M. Santos)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Coleção de Cenas



Tudo o que há de eterno mesmo quando não é...
Transeuntes filhos dos instantes,
Ventos ora ulcerosos ora regenerativos,
Máximos ou mínimos que tanto fascinam;
Ou não...
Ainda que relutantes, encravam-se
Até nas mentes, mesmo do mundo, mais distantes.


(Geneva H. M. Santos)

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Mudanças na Colméia


Descobertas, sonhos: negligênciados.
As intenções escondidas nas faltas
Bebem o sangue das operárias
Que seguem na existência vendadas;
Ou ignorantes ou acomodadas.


Aos olhos que com as palavras interagem,
Às narinas que inspiram tal atmosfera,
Suplica-se, mesmo sem pedir,
A intervenção de braços de coragem,
Disposição de energias que reagem.


Para a ruína da gananciosa muralha,
O néctar instrutivo será derramado
Pelos próprios braços solicitados,
Matando a sede das abelhas privadas
Unindo forças às suas ferroadas.


(Geneva H. M. Santos)

sábado, 8 de janeiro de 2011

Vozes Imóveis


Posso ouvir os grunhidos
Mas ainda não os localizei.
Sinto o cheiro da pólvora,
Mas não vejo o fogo aceso.
Também não há estampidos;
Apenas os velhos ruídos.


Ares em busca de plenitude,
Devaneios, sem atitude.


(Geneva H. M. Santos)